Estudantes da rede municipal visitam Prefeitura de Londrina em projeto de cidadania
Alunos do 5º ano de duas escolas municipais de Londrina tiveram uma experiência diferente nesta sexta-feira (14): deixaram a sala de aula e foram até a Prefeitura para conhecer de perto como funciona a administração da cidade.
Durante a visita, os estudantes também apresentaram ao prefeito Tiago Amaral propostas elaboradas a partir de problemas que eles próprios identificaram dentro das escolas onde estudam.
A atividade faz parte do projeto Estudantes em Movimento, iniciativa coordenada pelo Conselho Nacional de Controle Interno (Conaci) e desenvolvida em Londrina pela Controladoria-Geral do Município em parceria com a Secretaria Municipal de Educação (SME).
Alunos investigam problemas dentro das próprias escolas
A proposta do projeto é aproximar crianças de temas como cidadania, participação social e fiscalização dos serviços públicos.
Para isso, os estudantes realizam chamadas auditorias cidadãs, nas quais observam situações do cotidiano escolar, levantam informações, conversam com profissionais e procuram soluções para os problemas encontrados.
Londrina é a única cidade do Paraná participante da edição de 2026. Ao todo, quatro escolas municipais integram a iniciativa: Professora Vilma Rodrigues Romero, Roberto Alves Lima Júnior, Maestro Roberto Pereira Panico e Mábio Gonçalves Palhano.
Nesta etapa, os alunos das duas últimas escolas foram recebidos na sede da Prefeitura. O grupo conheceu diferentes setores do prédio e recebeu explicações sobre como as diversas áreas da administração municipal trabalham.
A visita foi conduzida pelo controlador e ouvidor-geral do Município, Guilherme Arruda.
Merenda escolar vira tema de investigação
Na Escola Municipal Maestro Roberto Pereira Panico, os estudantes escolheram a merenda escolar como objeto da auditoria.
A investigação levou os alunos a entenderem um processo que normalmente não aparece no cotidiano de quem recebe a refeição pronta: desde a aquisição dos alimentos até os cuidados necessários para que a comida chegue aos estudantes.
Eles conversaram com merendeiras e participaram de uma palestra com uma nutricionista da Prefeitura. A partir dessas informações, passaram a compreender aspectos relacionados à compra dos produtos, fiscalização, normas e preparação da alimentação.
A professora Susiely da Silva avaliou que a experiência ajudou os estudantes a perceberem que os serviços públicos dependem de processos e responsabilidades.
Segundo ela, os alunos deixaram de enxergar determinadas situações apenas pelo senso comum e passaram a compreender melhor o funcionamento por trás delas.
Com as informações reunidas, a turma elaborou sugestões envolvendo a alimentação escolar e as condições de trabalho na cozinha da unidade.
Estudantes encontram problemas nos banheiros
Na Escola Municipal Mábio Gonçalves Palhano, o foco escolhido pelos estudantes foi diferente.
A turma analisou as condições de conservação e utilização dos banheiros da escola. Mesmo após a reconstrução recente da unidade, os alunos identificaram situações como desperdício de papel e sabonete, descarte inadequado de resíduos e hábitos que prejudicavam a conservação dos espaços.
Em vez de apenas apontar os problemas, os próprios estudantes buscaram alternativas.
A professora Débora Menezes, responsável pela turma do 5º ano, contou que os alunos passaram a perceber que também tinham responsabilidade sobre a conservação dos espaços utilizados diariamente.
Como parte da solução, a turma criou cartazes de conscientização e realizou palestras para estudantes de outras séries, buscando incentivar atitudes mais cuidadosas no uso dos banheiros.
Mudanças já começaram a aparecer
Para alguns alunos, a experiência foi além da identificação dos problemas. Eles também puderam acompanhar se as medidas propostas estavam produzindo resultados.
Pietro Câmara, de 10 anos, contou que a turma percebeu mudanças depois das ações de conscientização realizadas na escola.
Segundo ele, o desperdício de papel e sabonete e a sujeira nos banheiros estavam entre os principais problemas encontrados. Depois do trabalho realizado pelos estudantes, a percepção da turma foi de que a situação começou a melhorar.
Crianças apresentam propostas ao prefeito
A visita à Prefeitura marcou um dos momentos mais importantes do projeto. Os estudantes tiveram a oportunidade de apresentar diretamente as propostas desenvolvidas durante as auditorias.
Para Beatriz de Oliveira Moraes, de 11 anos, participar da iniciativa mostrou que as crianças também podem contribuir para melhorar os espaços onde vivem e estudam.
A estudante destacou a experiência de discutir os problemas encontrados, buscar soluções e depois apresentar o resultado ao prefeito.
Projeto incentiva participação desde a escola
Para o controlador-geral do Município, Guilherme Arruda, a criatividade demonstrada pelos estudantes durante as atividades chamou a atenção da equipe responsável pelo projeto.
Ele explicou que, além de apresentar soluções para situações concretas das escolas, a iniciativa também ajuda as crianças a compreenderem qual é a função de órgãos como a Controladoria e a Ouvidoria.
A intenção é mostrar aos estudantes que a administração pública possui diferentes estruturas e que os órgãos de controle também fazem parte desse funcionamento.
Propostas seguem para competição nacional
A participação na Prefeitura encerra uma etapa importante do projeto em Londrina. Depois de identificar os problemas, pesquisar as causas e colocar as soluções em prática, as escolas participantes terão seus trabalhos avaliados em uma competição nacional do Estudantes em Movimento.
Entre os critérios estão aspectos como criatividade e inovação das propostas desenvolvidas pelos estudantes.
A experiência também poderá ser ampliada. A Controladoria-Geral do Município pretende levar posteriormente a iniciativa para outras escolas da rede municipal.
Para o prefeito Tiago Amaral, o projeto ajuda a desenvolver desde cedo uma percepção de pertencimento e responsabilidade sobre a cidade.
A ideia central é mostrar aos estudantes que cuidar de Londrina não depende apenas do poder público: a participação da própria comunidade também começa com pequenas atitudes e com a capacidade de identificar problemas e buscar soluções.