Centenas de pessoas foram às ruas neste sábado (8), em Sóller, na ilha de Mallorca, na Espanha, para protestar contra o turismo de massa e os impactos provocados pelo excesso de visitantes na rotina dos moradores.
A manifestação foi realizada sob o slogan “Sóller está no limite”. Os participantes afirmam que o crescimento do turismo tem elevado o custo de vida, dificultado o acesso à moradia e contribuído para o desaparecimento de estabelecimentos tradicionais da cidade.
Moradores reclamam de superlotação e falta de moradia
Durante o protesto, moradores relataram problemas que, segundo eles, se tornaram cada vez mais frequentes com o aumento do número de turistas.
Uma das manifestantes, Ana, afirmou que não é contra a presença de visitantes, mas considera que o volume atual ultrapassou os limites da cidade.
“Gosto que os turistas venham, mas há gente demais. Não dá para estacionar na rua nem nos nossos estacionamentos públicos. E, com isso, os antigos comércios estão fechando aos poucos.”
A preocupação também envolve o mercado imobiliário. Moradores afirmam que encontrar uma residência para alugar ou comprar se tornou mais difícil, enquanto imóveis destinados à atividade turística ganham espaço.
Outro manifestante disse que a situação está afetando diretamente a qualidade de vida da população local.
“Estou, acima de tudo, farto da turistificação e do turismo de massa. É preciso haver mudanças, pois os moradores de Sóller estão sendo expulsos daqui e a qualidade de vida está piorando.”
Turistas também reagiram ao protesto
A manifestação chamou a atenção de turistas que estavam na cidade. Alguns disseram não compreender completamente os motivos do protesto e defenderam a importância do turismo para a economia local.
Um visitante afirmou estar surpreso com a mobilização.
“Estou perdido e não consigo entender por que as pessoas estão protestando. Não sou daqui, mas sinto que a cidade precisa do turismo.”
O episódio evidencia um dos principais dilemas enfrentados por destinos turísticos europeus: como manter a atividade econômica gerada pelos visitantes sem comprometer a qualidade de vida de quem vive nesses locais durante todo o ano.
Espanha enfrenta debate sobre o turismo em massa
A discussão ganhou ainda mais força diante do crescimento do turismo na Espanha. O país recebeu 96,8 milhões de turistas em 2025, segundo os dados apresentados na matéria, estabelecendo um novo recorde e representando crescimento de 3,2% em relação ao ano anterior.
O turismo continua sendo uma das principais forças da economia espanhola. Para o período entre junho e setembro, o governo estima que os visitantes movimentem cerca de 64 bilhões de euros, aproximadamente R$ 374 bilhões, valor 10% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior.
O crescimento, entretanto, aumenta a pressão sobre cidades e regiões que precisam lidar com problemas como congestionamentos, aumento dos preços dos imóveis, ocupação excessiva de espaços públicos e transformação do comércio local.
Mallorca não está sozinha
Os protestos de Sóller fazem parte de um debate mais amplo que vem ganhando espaço em diferentes destinos turísticos da Europa. Em regiões muito procuradas, moradores têm questionado até que ponto o crescimento do número de visitantes é sustentável.
A principal discussão não é necessariamente sobre impedir a chegada de turistas, mas sobre encontrar um equilíbrio entre a geração de renda e a preservação das condições de vida da população.
Em Sóller, os manifestantes defendem justamente essa mudança de equilíbrio. Para eles, o modelo atual precisa ser revisto antes que os efeitos sobre a moradia, o comércio tradicional e a mobilidade se tornem ainda mais difíceis de reverter.
O desafio daqui para frente
O caso de Mallorca mostra como o turismo pode produzir efeitos contraditórios. Ao mesmo tempo em que movimenta bilhões de euros, gera empregos e fortalece a economia, o excesso de visitantes pode aumentar os custos para quem vive nos destinos turísticos.
A tendência é que o debate continue nos próximos meses, especialmente durante os períodos de maior movimento. Autoridades locais e moradores terão o desafio de discutir medidas capazes de preservar a atividade turística sem transformar as cidades em locais cada vez mais difíceis para a própria população.