Novas regras contra a “cera” mudam a dinâmica dos jogos no Brasileirão
O Brasileirão começa a testar, a partir da 23ª rodada, um conjunto de mudanças criado para reduzir o antijogo e aumentar o tempo de bola em disputa. As novas regras foram aprovadas pelos clubes das Séries A e B e passam a valer imediatamente nas competições nacionais.
A mudança acontece em um momento em que a CBF busca aproximar o futebol brasileiro de uma realidade já observada em outras grandes ligas. Atualmente, os jogos da Série A têm, em média, 52 minutos e 54 segundos de bola rolando. A entidade estabeleceu como meta chegar a aproximadamente 57 minutos com a aplicação do novo conjunto de medidas.
Contagem regressiva nas cobranças
Uma das mudanças mais fáceis de perceber durante as partidas será a contagem de tempo para algumas reposições.
Quando o árbitro entender que uma cobrança de lateral está sendo atrasada de forma deliberada, poderá iniciar uma contagem visual de cinco segundos. Se o jogador não fizer a cobrança dentro do período, a posse passa para o adversário.
A mesma lógica será aplicada aos tiros de meta. Nesse caso, se o goleiro ou outro jogador responsável pela cobrança ultrapassar os cinco segundos após a contagem ser iniciada, a equipe adversária ganhará um escanteio.
A intenção é evitar que situações simples de reposição sejam utilizadas para consumir tempo de maneira proposital.
Substituições também terão limite
Outra alteração atinge os jogadores que estão deixando o campo.
Depois que o quarto árbitro indicar uma substituição, o atleta substituído terá 10 segundos para sair do gramado. Nos últimos cinco segundos, o árbitro fará a contagem de forma visual.
Se o jogador demorar além do permitido sem uma justificativa relacionada a uma lesão que impeça sua saída, o substituto terá de esperar um minuto para entrar. Durante esse período, a equipe ficará com um jogador a menos.
A regra pretende diminuir uma prática comum em partidas equilibradas, principalmente nos minutos finais, quando uma substituição pode ser utilizada para consumir alguns segundos adicionais.
Atendimento médico terá uma consequência inédita
Uma das mudanças que mais pode alterar a estratégia das equipes envolve os atendimentos médicos.
A partir de agora, um jogador que deixar o campo para receber atendimento deverá permanecer fora por pelo menos um minuto antes de retornar.
Quando o atendimento for para um goleiro, a equipe não poderá simplesmente ficar com um jogador a menos durante o período. Nesse caso, um atleta de linha deverá deixar o campo por um minuto. O técnico poderá indicar quem sairá ou, em determinadas situações, o capitão poderá deixar o gramado.
A medida busca evitar que supostas lesões sejam utilizadas como estratégia para interromper o jogo e permitir que a comissão técnica passe orientações aos jogadores.
“Lei Vini Jr.” também entra em cena
O pacote inclui ainda uma regra disciplinar que ganhou o apelido de “Lei Vini Jr.”.
Jogadores, reservas ou atletas substituídos poderão ser expulsos caso cubram a boca ao falar com um adversário de maneira considerada provocativa, depreciativa ou inflamatória.
A medida surgiu no contexto das discussões sobre comportamentos provocativos dentro de campo e busca coibir atitudes que possam aumentar a tensão entre os jogadores.
VAR ganha novas possibilidades
O árbitro de vídeo também terá seu protocolo ampliado.
Uma das novidades permite que o VAR intervenha quando houver um erro na aplicação de um segundo cartão amarelo que resulte em expulsão.
A mudança busca corrigir erros objetivos sem exigir necessariamente que o árbitro vá até o monitor para rever a jogada.
Outra alteração envolvendo escanteios está prevista para 2027. A partir daí, o VAR poderá atuar quando um escanteio concedido de maneira equivocada resultar diretamente em gol ou pênalti.
CBF quer recuperar mais de seis minutos por partida
Os números apresentados pela CBF ajudam a explicar o motivo da mudança.
Um estudo apontou que a Série A brasileira registra atualmente 52min54s de bola rolando por partida, abaixo de competições como a MLS, Bundesliga, Ligue 1, Premier League, LaLiga e Serie A italiana.
A entidade calcula que apenas quatro fatores poderiam representar uma recuperação de 6 minutos e 22 segundos de bola em jogo:
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3min23s relacionados ao tempo perdido em faltas;
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1min53s nas reposições de bola;
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50 segundos em atendimentos médicos;
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16 segundos no uso do VAR.
Com todas as mudanças funcionando em conjunto, a expectativa da CBF é chegar a cerca de 57 minutos de bola rolando.
Mudança pode afetar diretamente a estratégia dos times
Na prática, as novas regras podem modificar principalmente o comportamento das equipes que costumam administrar resultados nos minutos finais.
Aqueles segundos gastos em laterais, tiros de meta, substituições e atendimentos médicos passam a representar um risco maior. Em algumas situações, tentar ganhar tempo pode acabar deixando o próprio time em desvantagem numérica ou até entregando a posse ao adversário.
O impacto, porém, não dependerá apenas das novas regras. A própria CBF destaca que a postura dos árbitros e dos jogadores será determinante para reduzir o tempo perdido com faltas, reposições e outras interrupções.
A partir desta rodada, portanto, o torcedor começa a acompanhar um Brasileirão em que segundos podem ter consequências mais claras dentro de campo. A expectativa é que a soma dessas pequenas mudanças torne as partidas mais dinâmicas e aumente efetivamente o período em que a bola permanece em jogo.